Depois de três séculos e meio sem postar nada, cá estamos de volta.
Só pra não deixar isto aqui muito defasado, resolvi compartilhar sobre um filme dentre alguns que vi no feriado de carnaval.
Aliás, pra quem não gosta de folia não sobra quase nada a não ser ver filmes. Qualquer tentativa de sair pra comprar algo ou resolver algum problema pendente torna-se absolutamente frustrante, depois de constatar que TUDO fecha. Até mesmo na quarta-feira de cinzas, quando eu já voltei a trabalhar, Brasília ainda está parada.
Mas, voltando ao filme, tive vontade de vê-lo desde sua estréia, mas sempre deixava passar. Há cerca de um mês aproveitei sua exibição no Telecine e botei o SKY+ pra gravar. E ontem resolvi sentar-me em frente à TV para assistir à obra. Morri de rir!
O filme é simples, tem atuações primorosas (em especial a da sempre excelente Fernanda Torres e a do Paulo José) e diverte muito, entre a simplicidade e o nonsense. Até o Lázaro Ramos está bem no filme – por mais incrível que isso possa parecer.
Gostei. Indico. E tive vontade de ter uma vidinha simples como a daqueles personagens…
Por curiosidade, segue um vídeo transmitido pela TV, em Israel, com orientações de como a população deve se comportar diante de uma ameaça de ataque.
Só pra lembrar: essa é uma realidade vivida pelos israelenses (em especial os do Sul do país) diariamente, desde muito antes da ação militar em Gaza, iniciada no último dezembro.
Encontrei a imagem acima no blog Na Mira do Hamas, e acredito que ela retrata exatamento o motivo de as perdas do lado palestino, em Gaza, serem imensamente maiores (em número de pessoas mortas e feridas) do que do lado israelense.
Enquanto israelenses correm para salvar suas famílias e a si mesmos a qualquer alerta de ataque, o povo governado pelo Hamas lança-se (de forma voluntária ou à força) ao encontro de mísseis e bombas, em busca da suposta honra do martírio.
Seguem, abaixo, comerciais que retratam, ainda, o enfoque midiático do conflito, pelos dois lados. Há uma propaganda palestina incitando seus cidadãos à guerra, enquanto, do lado de Israel, o que se vê são mensagens de apoio à população do Sul, que há muitos anos anseia por uma paz impossível de ser atingida, por impedimento do radicalismo islâmico.
Acabei de ler pela n-ésima vez o conto O Grande Inquisidor, trecho do romance Irmãos Karamazov, de Fiodor Dostoiévski.
Ao final da última linha do diálogo entre Ivã e Aliócha, dou um suspiro e repito numa reação já tradicional, quase religiosa: “o cara é um gênio!”
Digo “é”, no presente, pq a genialidade de Dostoiévski ainda não morreu, e não morrerá nunca. As palavras, cada linha, são de uma atualidade impressionante para a igreja dos nossos dias, e para toda a sociedade.
O cara consegue retratar com perfeição a angústia de um povo aflito contraposta à opressão de uma elite que cria meios para controlar a multidão. No caso que o autor descreve, o meio/instrumento de controle das massas é a religião, são as interpretações das palavras de Jesus. Palavras utilizadas pelos homens que a controlam inclusive como objeto de recondenação do próprio Cristo.
Dostoiévski expõe as fragilidades humanas, a dificuldade de se lidar com a liberdade e a ganância de alguns homens que, sedentos de poder, buscam sobrepujar a maioria e estabelecer uma relação de dominância ideológica.
Hoje, 130 após a primeira publicação do texto, ele ainda se mostra atual. E assim o permanece, sobretudo, a cada releitura que fazemos.
Pra início de conversa, quero deixar que sou terminantemente contrário a qualquer tipo de conflito armado, principalmente àqueles que deixam como vítimas civis, crianças, pessoas inocentes. Mas muito tem se falado sobre as “atrocidades” cometidas pelas FDI (Forças de Defesa de Israel) contra o povo palestino que habita em Gaza.
Se especulações e achismos estatísticos fossem cientificamente válidos, eu diria que cerca de 90% das pessoas do mundo corroboram com o pensamento emitido pela imprensa internacional, de que Israel é um Estado opressor, que mata de forma perversa crianças inocentes e bombardeia hospitais, templos religiosos e casas de civis. Isso pode ser constatado em conversas que tenho tido com amostras populacionais extremamente pequenas (tendendo a menos infinito… hehe) e em atitudes e protestos contra embaixadas de Israel e contra o povo judeu, ao redor do mundo. Porém, o que de fato acontece em Israel é um problema histórico, complexo, muito além do que expõem CNN e Rede Globo.
O conflito entre judeus e povos árabes não é algo que começou hoje (ou há alguns dias, com o início da operação militar em Gaza). Já era prevista, desde o Gênesis, a briga constante entre Israelitas e Ismaelitas; e quando ainda era praticamente uma criança, o Rei Davi derrubou o gigante Golias, um filisteu (no original filistin, que significa invasor: palavra que deu origem ao termo falestin e, posteriormente, palestino), o que resultou na unificação do povo hebreu e na constituição do Estado de Israel.
Embora não se bicassem, povos judeus e árabes habitaram aquela região do oriente médio durante muitos séculos, e, no início da era cristã, o Império Romano – que dominava a região – resolveu banir o povo de Israel de seu território e denominar aquela terra de Palestina. Só então este nome foi dado àquela região. Daí em diante muita coisa aconteceu: judeus se espalharam pelo mundo, passaram a integrar as mais diversas sociedades, habitaram Europa (e, posteriormente, os países colonizados pelas potênicas européias da Idade Moderna), Ásia, África… E, ainda, algumas comunidades permaneceram ali, nos arredores do Mar Mediterrâneo. Porém, ainda que habitassem e passassem a fazer parte de diversas sociedades, desde os primeiros séculos depois do nascimento de Cristo, foi instituída a perseguição ao povo judeu por romanos, inquisidores, nazistas: aquele povo, expulso de sua terra, foi perseguido e massacrado nos mais variados contextos históricos, em situações que nem precisam ser aqui lembradas.
Enquanto isso, o poder sobre aquela terra também sofreu alterações, ficando sob o comando de Cristãos Cruzados, do Império Turco-Otomano e, depois, sob Mandato Britânico.
Ao final do ultimo grande período de perseguição judaica da História, com o encerramento da Segunda Guerra Mundial, a ONU propôs-se a deliberar sobre o destino daquele povo massacrado, que teve grande parte dos seus dizimada pelo regime nazista. Decidiu-se pela resposta ao anseio de movimentos sionistas que lutavam pelo retorno dos judeus à sua terra de origem, com a criação de um Estado judeu, na área denominada – pelos romanos – de Palestina. Naquela ocasião, em 1947, foi proposta uma divisão da terra que hoje compreende o Estado de Israel: uma parte para o povo judeu (para os que lá já habitavam e para os que migrariam) e outra para o povo árabe, sendo Jerusalém (antiga capital do Reino de Davi) considerada “território internacional”. A essa proposta, Israel disse sim. Quanto aos árabes, suportados por países como Líbano, Síria, Irã, Jordânia (esta, inclusive, criada de forma tão “artificial” quanto Israel, por decisão das Nações Unidas, em 1946), negaram-se a aceitar, sob a espectativa que terem toda a terra e impedirem o braço do Ocidente no Oriente: os incrédulos habitando em meio ao povo de Allah.
Ainda assim, Israel deu início a um período de grandes migrações, socializou a terra e começou a produzir leite e mel no deserto. Fizeram da terra árida um enorme pomar, que hoje exporta – de forma inacreditável – frutas para o mundo. O povo judeu – massacrado, dizimado, sem a menor estrutura bélica, àquela altura – enfrentou, em maio de 1948, exércitos estruturados e poderosos da região, e conquistou o direito de habitar em sua terra e estabelecer o seu Estado Independente.
Daí em diante, os árabes da região assumiram o nome de palestinos e passaram a lutar pelo que propôs a ONU, em oportunidade anterior, e que eles mesmos negaram: pela constituição de um Estado Palestino. Vieram mais guerras, Seis Dias, Yom Kipur, vitórias de Israel, Intifadas, massacre de palestinos inocentes, atentados suicidas contra israelenses igualmente inocentes…
Mas nem todos os árabes se voltaram contra os judeus “invasores”. Cabe ressaltar que 62% dos palestinos optaram por conviver pacificamente com os judeus, em território israelense, adquirindo status de cidadão de Israel, com direitos iguais aos do povo judeu como, livre acesso a saúde de qualidade, educação de qualidade, segurança e toda a estrutura de um Estado moderno, o que é hoje Israel. Esses palestinos (chamados de arab-israelis) totalizam 17% da população israelense e são considerados desertores pelos grupos extremistas, que atacam até mesmos esses “irmãos”, nos atentados contra os judeus.
Dado esse relato histórico resumidíssimo, eu convido o leitor que teve paciência de chegar a até esta parte do texto para uma breve reflexão: todos devem se lembrar do recente episódio em que a Bolívia resolveu nacionalizar suas reservas de Gás Natural e ocupou postos – inclusive da Petrobrás – com o exército, para tomar por meio da força armada uma das únicas fontes de riqueza de seu povo sofrido. Qual foi o alarido ouvido pelos quatro cantos do Brasil, sobre que atitude o Governo brasileiro deveria tomar, ao invés da passividade que predominou, para que se evitasse um conflito? O furor do nosso povo era quase uníssono, esperando por um posicionamento mais enérgico por parte de nossas autoridades, por um acontecimento simples, de retomada de recursos próprios de um povo, que nós – aqui – também temos de sobra. Ficamos “bravos” porque estávamos sentindo nossa soberania ameaçada, queríamos defender o que nos pertencia: ainda que a nossa “propriedade” fosse uma estrutura de exploração e colonização de um povo vizinho, em grande parte miserável.
Agora, esforcem-se um pouquinho mais na fantasia. Imaginem que Evo Morales, que muitas vezes manifestou indignação pela “perda” do Acre para o Brasil, resolvesse retomar o território acreano. Digamos que ali fosse incitado, pelas autoridades da Bolívia, um conflito e que os bolivianos passassem a bombardear a Amazônia brasileira quase que diariamente, atirando contra tribos indígenas, cidades vizinhas, casas, parques, hospitais, igrejas. O que o Brasil deveria fazer?
Pois esta tem sido a realidade de Israel. O que existe – de fato – hoje, é que desde a constituição do Estado judeu, com a derrota dos árabes na Guerra da Independência de Israel, em 1948, os israelenses têm sido vítimas de ataques e atentados. Não é preciso fazer um esforço de memória tão grande para se lembrar de bombas explodindo em ônibus, escolas e clubes noturnos de Jerusalém, Tel-Aviv ou outras cidades. Quando estive em Israel, por exemplo, há cerca de 6 meses, um palestino extremista assumiu o controle de um trator e arremeçou a máquina contra um ônibus cheio de civis, inclusive crianças, das quais algumas morreram. E, especialmente nos últimos 10 anos, o sul de Israel tem sido alvo constante (praticamente diário) de ataques de mísseis oriundos da Faixa de Gaza, governada pelo Hamas: grupo islâmico extremista, fundamentado na Jihad, e que anseia pela destruição completa do Estado de Israel e pelo extermínio do povo judeu (exagero? Leiam o manifesto do grupo e todos chegarão à mesma conclusão).
Após negociações intermediadas pelo Egito, as autoridades em Gaza decidiram assinar um acordo de paz e interromper os ataques. Porém, o acordo foi solenemente revogado de forma unilateral pelos palestinos, e, num período de 6 meses, mais de 300 mísseis e morteiros foram lançados contra cidades como Sderot, cuja triste situação pode ser vista na imagem a seguir:
Mas o leitor ainda pode pensar: “os ataques ao sul de Israel nem são tão graves assim! pouquíssima gente morreu!”. Sim, poucas pessoas morreram. Mas isto só acontece porque, desculpem-me a franqueza, os caras são ruins de mira! E, principalmente, pelos mecanismos de defesa desenvolvidos pelos israelenses. Os alvos escolhidos pelos palestinos extremistas são quase que exclusivamente civis e suas armas são mortais. Acontece que Israel preparou-se para o caso de ser atacado (medo constante na população) e TODOS os prédios – privados ou públicos: shoppings, lojas, casas, templos, edifícios do governos, supermercados, hotéis – possuem abrigos anti-bombas. A qualquer sinal de ataques, todos evacuam suas casas e escondem-se nas tocas, para salvarem-se dos ataques. Ao saírem do casulo, encontram suas casas demolidas, cidades arrasadas e imaginam como seria se não tivessem conseguido se esconder e fugir a tempo. Sensação parecida com a que tiveram nossos irmãos, brasileiros, de Santa Catarina, ao ver tudo o que construíram no chão.
Já do outro lado da fronteira, a realidade é outra. O Hamas utiliza como escudo os inocentes da palestina, e montam suas bases militares em casas de civis, mesquitas, universidades, escolas, além de cercarem-se de crianças, no lançamento de suas armas para que, ao serem atacados, levem junto consigo pessoas inocentes (iludidas com uma suposta condição de mártir) e, por conseqüência, a mídia e a opinião pública internacional.
O conflito é ruim, a morte de civis e crianças é algo horrível. Mas também é difícil viver sob a sombra do medo – como o fazem as crianças de Sderot, em Israel -, sem paz, debaixo de ataques diários, e esperar de mãos atadas até o dia em que não conseguirão mais se esconder em seus abrigos anti-bombas. E igualmente difícil é ver crianças inocentes serem arrastadas para a morte por militantes do Hamas, como pode-se ver no vídeo abaixo:
Torço para que essa Guerra acabe logo. Mas torço também para que toda a estrutura do Hamas seja destruída, para que possam – judeus e palestinos – vislumbrarem alguma fagulha de paz, naquela atribulada região que a maioria só quer chamar de “casa”.
Quando eu era criança, sonhava em ter aquelas milhares de variações de Lego, que eram anunciadas nos comerciais de TV. Mas só recebia de meus pais aquele blocões grandes, sob o pretesto de que Lego era muito caro.
Agora, na internet, descubro que o mundo mágico que pode ser criado por essas pecinhas vai muito além daqueles aviões, carros, navios, que me atiçavam na infância.
Deem uma olhada no http://haha.nu/amazing/nathan-sawaya-the-lego-artist-2/ e vejam o que o cabra é capaz de criar com Lego! Será que se eu tivesse tido acesso aos bloquinhos na infância eu teria o mesmo talento? Hehe. O mundo nunca saberá se perdeu ou não um outro grande artista! hehehe.
Em 22 de dezembro de 1988, um tiro de espingarda tirou a vida daquele que foi o pioneiro da luta pela causa ambiental. Chico Mendes foi assassinado por defender os direitos dos povos da floresta e o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Os conflitos que resultaram em sua morte surgiram com a migração de fazendeiros do sul para o norte do país, com a finalidade de concretizarem o equivocado Projeto de Colonização da Amazônia, concebido pelo Estado a partir da década de 1970. Isso tiraria o sustento daqueles que tradicionalmente sobreviviam com os recursos naturais, além de contribuir para a degradação da floresta e a indigência dos povos que ali habitam. Como instrumento de resistência, o movimento liderado por Chico Mendes ficou famoso por seus empates: seringueiros, ribeirinhos e indígenas promoviam, de mãos dadas, um grande abraço à área a ser derrubada, empatando a destruição.
Essa luta ganhou proporções internacionais e grande exposição na mídia estrangeira, levando Chico Mendes a receber o prêmio Global 500, da Organização das Nações Unidas, em 1987. Chico introduziu na agenda política a questão da preservação da Amazônia e plantou as bases para a constituição da Aliança dos Povos da Floresta, que uniu extrativistas e indígenas (grupos que até então viviam em conflito) num interesse comum de resistência em favor da utilização sustentável dos recursos naturais.
Chico Mendes conseguiu enxergar à frente de seu tempo questões que hoje, 20 anos depois, permanecem atuais, e quase todas as suas idéias puderam ser ratificadas pela história dos anos subseqüentes. Apenas uma foi falseada: ele acreditava que sua morte provocaria o silêncio das vozes da floresta. Ao contrário, o que se vê hoje é que, como fruto de sua luta, essas vozes ecoam cada vez mais alto e mais longe, atestando que Chico Mendes vive.
Quem nasceu na primeira metade da década de 1980 certamente tem memória suficiente pra se lembrar da novela Tieta: uma adaptação da obra de Jorge Amado, exibida pela Rede Globo, por volta dos anos de 1994 e 1995.
E, dentre tantas cenas inesquecíveis, é impossível não trazer à mente – ao se falar da novela – a cena em que Tonha (madrasta de Tieta) volta da cidade grande pro agreste, em meio às dunas e aos lenços, e ao som de uma música da cantora Simone.
Pra quem não sabe do que to falando, segue aqui uma versão remasterizada, atualizada, modernizada, charmosa e avacalhada do clipe: