Sempre fui fã dos Jogos Olímpicos. Gosto da competição, da integração, do esporte, da estética… do momento em que – desde a antigüidade – o mundo se comporta como se não houvesse problemas!
Essa é uma cegueira comum – e talvez oportuna - a todos os grandes eventos esportivos, e confesso que talvez eu seja também um brasileiro que só comece a pensar nas eleições quando a Copa do Mundo acaba. De fato essas épocas de Olimpíadas, Copas, Panamericanos etc, me envolvem desde pequenininho.
Nascido em 1982, ainda era um “infante relativamente incapaz” em 1984 pra poder acompanhar Los Angeles. Mas de Seoul eu me lembro! Em 1988 meu vocabulário ainda estava em formação e eu ficava um tanto quanto acanhado ao ouvir todo mundo dizer o nome da cidade sede dos Jogos. Pra mim, que ainda descobria o mundo de palavras bonitas e feias, a pronúncia do nome da capital da Coréia do Sul se assemelhava sonoramente a uma “palavra feia”, soletrada. E foi isso que me marcou, naquele ano.
De Barcelona, em 1992, ficaram o Coby – aquele mascote mal desenhado que depois se perpetuou em uma série apresentada pela TV Cultura, durante a minha infância – e a “seleção de ouro” do nosso volei masculino.
Daí em diante, seguiram-se mais três jogos, acompanhados pela frustração do futebol brasileiro na busca do “ouro inédito”.
Mas a partir de Atlanta 1996 passei a esperar com ansiedade pelo início dos jogos, para o espetáculo da cerimônia de abertura: o evento televisionado mais visto do mundo!
E realmente, com exceção do que ocorreu em Atlanta, o que se apresenta nos estádios olímpicos são espetáculos dignos de Oscar em efeitos especiais. Pessoas voam, cores surgem do nada, luzes cruzam os céus, águas brotam e escoam num passe de mágica, animais gigantes são domados! Ali começa o mundo de ilusões que nos faz esquecer momentaneamente da realidade…
Sydney 2000 e Athenas 2004 foram aos limites em técnica, beleza, arte, e nos deixaram com aquela sensação de achar que não há como ir além.
Mas Beijing 2008 vai nos provar o contrário. Aquele povo inventou a pólvora, o papel, a bússola! Os chineses foram uns dos primeiros a invadir as águas do mar em navegação, fizeram revolução… possuem o famoso Circo Imperial! São mais de cinco mil anos de uma história riquíssima a ser retratada em algumas horas, daqui a uma semana.
E se depender da bagagem, da criatividade e da tecnologia que possuem, podemos esperar muito e, ainda assim, nos surpreender.
Um pouco do que está por vir pôde ser visto no encerramento de Athenas 2004, na cerimônia “We Are Ready”, há um ano, e na falta de ética da TV coreana, ontem. A imprensa do mundo foi convidada pra assistir à quinta parte do ensaio da cerimônia, sob o acordo de não divulgar nada além de impressões verbais. Mas faltou compromisso e uma emissora coreana divulgou para o mundo algumas (pouquíssimas) cenas que mostram um pergaminho gigante se desenrolando, baleias e mulheres voando pelo estádio… um espetáculo fantástico!
Pelo pouco que vi, fiquei emocionado. Agora espero pelo dia 8 pra confirmar as impressões.
Segue, abaixo, uma foto do Ninho de Pássaro iluminado. Quanto ao vídeo com as cenas clandestinas, está no youtube. Não vou postar porque sou contra a falta de ética. hehe. Mas é só dar uma pesquisada lá. É fácil encontrar.
