Papel de Pão

Reflexões, pensamentos, comentários, riscos e rabiscos sobre informações úteis e inúteis.

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Qual a vida útil de um papel?

Publicado por pvictor em Agosto 20, 2008

É comum ouvir, em nossos dias, comentários sobre possíveis soluções para que a sustentabilidade do planeta seja garantida. A luta da China para que se realizassem “jogos verdes” e para camuflar a densa nuvem de poluição sobre Pequim fez surgir diversas discussões a esse respeito; e no meio delas sempre aparece alguém com dados e estatísticas sobre níveis de toxinas no ar, quantidades de detritos nas águas e previsões desastróficas acerca da sobrevivência da amazônia.

Pra complementar o assunto e enriquecer a discussão com dados e com um pretenso empirismo, um outro busca, no Google, informações sobre o tempo de degradação de cada tipo de material descartado no ambiente (fiz isso agora… hehe): fralda descartável – 600 anos; garrafa pet – 500 anos; palito de fósforo – 2 anos; guardanapos de papel – 3 meses; embalagens de papel – 1 a 4 meses; jornais – 2 a 6 semanas…

Mas quanto tempo têm de vida aqueles papéis que não jogamos no meio ambiente, mas que jogamos em gavetas, estantes, armários e deixamos ali por julgarmos que os mesmos possuem algum valor documental e/ou sentimental?

Meses atrás repeti um ritual meu que acredito ser comum a toda e qualquer pessoa: tirei toda a papelada que guardava, revi a importância dela e descartei parte, para que a mesma pudesse entrar pra tabelinha e seguir seu tempo natural de degradação. Enchi sacos com o que tirei dali, e guardei mais um tanto para que, meses depois, pudesse repetir todo o processo.

Engraçado como algumas cartas, recados, bilhetes, faturas etc. que hoje têm valor podem perdê-lo em poucos meses, semanas ou dias. Dependendo do nosso humor no dia a gente olha pra alguns rabiscos e vê aquilo ou como uma relíquia de preciosíssimo valor ou como uma besteira que já deveria ter sido jogada fora. E impressiona a velocidade com que o descartável se acumula. Às vezes temos a impressão de que se fizermos uma faxina por dia, a mesma quantidade de papel sai daqueles armários pro lixo!

Mas o melhor que  podemos tirar desses rituais – independente de os papéis serem jogados fora ou não – são as recordações reavivadas a cada releitura. É nostálgico perceber a mudança no formato das letras, no tipo de caneta utilizada, nas idéias ali expressas. E, o principal, é incrível notar como cada letra despendida por meio de papel e tinta, em algum tempo no passado, parece adquirir vida própria.

Relendo coisas que escrevi, parece que sempre aprendo algo. Parece que aquilo que ali coloquei sem a menor pretensão ganha uma função importantíssima de me ensinar uma nova lição (ainda que seja a de nunca mais escrever – ou pensar – besteiras como aquelas).

Não entendo bem o motivo, mas mais do que fotos, vídeos ou coisas do gênero, eu vejo na letra manuscrita a maior identidade de uma pessoa. Ler o que foi escrito de próprio punho traz a mim memórias mais profundas do que qualquer contato visual com uma imagem (cheiro também é uma coisa forte pra mim, mas falo sobre isso numa outra oportunidade).

Quando da morte de algum familiar ou conhecido, por exemplo, o que mais me comove é exatamente o momento em que se abrem as gavetas e os papéis manuscritos vêm à tona. Sinto como se ali a pessoa estivesse falando novamente, soltando o VERBO, expressando vida! É estranho (e talvez um pouco macabro, admito)…

Papéis, portanto, podem ter tempo curto de sobrevida quando lançados ao leo. Mas papel escrito (em especial o manuscrito) tem, pra mim, presença histórica incalculável e imensurável.

Por fim, pra ilustrar, cito aqui uma frase adolescente escrita com a letra da minha mãe em um bilhete de amor que acabei lendo há alguns dias, de quando a mesma namorava meu pai, em 1973. Na época, ela, com 15 anos, escrevia ao meu pai, que tinha 19: “No rio da vida, um afluente: o nosso amor!”. É brega pra caramba, eu sei! Também acho. Mas a leitura de algo assim tem sobre mim tal força que posso ser remetido quase que instantaneamente àquele momento em que os planos de minha concepção começavam a ser por eles traçados… hehe.

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Papel de quê?

Publicado por pvictor em Julho 30, 2008

Todos (talvez 4 ou 5 pessoas) acompanharam minha saga rumo à definição do nome deste espaço.

O “Filosofia de Rua” durou pouco (1 dia).  Numa pequena busca pelo oráculo (leia-se Google), percebi a existência de outros blogs e, inclusive, de uma banda com o mesmo nome. Banda esta de cujas letras discordo veementemente, pelo pouco que li, na rápida pesquisa.

Daí, nasceu um dilema. Iniciou-se uma busca desbravadora em direção a bons nomes, ainda não utilizados.

Filosofia de boteco foi uma primeira opção. Mas pensei que pudesse soar um pouco pejorativo (e lá vou eu começando a ceder à coerção socio-virtual…).

Isegoria também foi uma idéia. Mas além de já existirem diversos blogs com este nome, pensei melhor e percebi que o conceito base da democracia grega (direitos iguais de fala, liberdade de expressão) estrapola o propósito lúdico disto aqui.

Panfleto tinha mais a cara do projeto, mas já havia registros assim.

Panfletagem seria uma opção a esta anterior, mas sonoramente não funciona, na minha opinião.

Por fim, Papel de Pão, me veio à mente, acompanhado de uma pequena melodia, dessas que se alojam em nossa cabeça e permanecem o dia inteiro. “Um céu cheio de estrelas, feito com caneta bic num papel de pão”… fiquei cantarolando isto até o anoitecer, em pensamento, ao mesmo tempo em que filosofava (afinal, era este o propósito inicial do blog) sobre o termo.

Não é novidade minha, mas diversas pessoas já expuseram sobre as finalidades adjacentes e não menos importantes do papel de pão. Aquele saco pardo, que levamos todo dia de manhã pra casa, tem mais utilidades que bombrill.

A música popular brasileira já delineou algumas de suas funções, como, por exemplo, a de embrulhar uma diversidade imensa de objetos, não só o pão quentinho.

Além disso, talvez não haja espaço criativo mais adequado que um papel de pão. Alí rabisca-se de tudo: poesias, letras de músicas, esboços de obras-de-arte, desenhos de invenções, telefone de mulher… Sempre existe um pedacinho de papel pronto a ser rasgado pra ocupar uma de nossas idéias geniais ou simplesmente um dado considerado útil, que não merece ser esquecido.

Minha pretenção não é tanta. Não penso em extrair deste Papel de Pão uma sacada genial, uma poesia, uma música…

Um invento pra ficar rico com alguma patente seria interessante! Telefone de mulher também poderia não ser ruim… hehe

Mas quero só, a cada dia (ou de tempos em tempos), rasgar um pedacinho e colocar um pensamento, uma impressão, uma opinião (ridícula ou nem tanto).

Por fim, talvez um objetivo mais claro acerca do nome possa ser expresso naquilo que pode-se encontrar escrito em todo e qualquer saco de pão: “obrigado pela preferência, volte sempre!”.

O recado tá dado.

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