Depois de três séculos e meio sem postar nada, cá estamos de volta.
Só pra não deixar isto aqui muito defasado, resolvi compartilhar sobre um filme dentre alguns que vi no feriado de carnaval.
Aliás, pra quem não gosta de folia não sobra quase nada a não ser ver filmes. Qualquer tentativa de sair pra comprar algo ou resolver algum problema pendente torna-se absolutamente frustrante, depois de constatar que TUDO fecha. Até mesmo na quarta-feira de cinzas, quando eu já voltei a trabalhar, Brasília ainda está parada.
Mas, voltando ao filme, tive vontade de vê-lo desde sua estréia, mas sempre deixava passar. Há cerca de um mês aproveitei sua exibição no Telecine e botei o SKY+ pra gravar. E ontem resolvi sentar-me em frente à TV para assistir à obra. Morri de rir!
O filme é simples, tem atuações primorosas (em especial a da sempre excelente Fernanda Torres e a do Paulo José) e diverte muito, entre a simplicidade e o nonsense. Até o Lázaro Ramos está bem no filme – por mais incrível que isso possa parecer.
Gostei. Indico. E tive vontade de ter uma vidinha simples como a daqueles personagens…
Tudo de limão é bom! Mousse, torta… Sobretudo o suco de limão é, pra mim, o preferido.
Além das delícias culinárias que o limão nos proporciona, pude conferir – numa breve retomada à vida de cinéfilo, nos últimos dias – uma nova faceta das boas coisas que esse fruto nos proporciona. Desta vez, a obra foi cinematográfica: Lemon Tree (Etz Limon), do diretor israelente Eran Riklis.
Já tinha lido várias críticas sobre o filme e fiquei muito ansioso pra ver. Mas a película demorou a chegar aqui em Brasília e, quando me toquei, já estava saindo de cartaz. Restavam apenas duas sessões na Academia de Tênis e corri pra ver, sábado passado.
Sou um tanto suspeito pra falar, mas qualquer boker tov ou shalom já me empolga, pelo meu fascínio pela cultura judaica e pela língua hebraica. Tentei conter minha emoção um tanto quanto infantil e segui em silêncio, assistindo à história (também recheada de diálogos árabes).
Lemon Tree expressa o conflito corrente na região da Cisjordânia, entre árabes e judeus, que tentam coexistir num mesmo território, a despeito dos focos de guerra que podem estourar a qualquer momento, em qualquer lugar. E, no filme, o campo de batalha é um limoeiro. Nada de tiros, bombas, mortes… A guerra é construída na delicadeza das palavras, das emoções, dos gestos, dos olhares e no embate que se cria em torno de crenças e paixões.
Salma é uma palestina que desde a sua infância cultiva limões num pomar plantado por seu pai, 50 anos atrás. Solitária, ela tem no pomar sua única fonte de renda e alegria.
Israel Navon é o Ministro da Defesa do Estado de Israel e decide se mudar para uma casa em frente à de Salma: em frente ao limoeiro. Preocupado com a segurança de sua esposa, Mira, o ministro vê (pelo diagnóstico do Mossad) o pomar como um possível esconderijo de terroristas e, portanto, um risco.
Inicia-se, daí, um embate entre o braço forte e o elo fraco, entre Israel Navon e Salma, em que o primeiro tenta destruir a plantação e a segunda busca defendê-la com todo o seu fôlego. O conflito ganha a mídia internacional, toma proporções imensas e transcende o embate pela destruição ou manutenção do pomar: desperta sentimentos, amizades, paixões, empatia, distanciamento, preconceito, compreensão e muitos olhares.
Recomendo o filme e o tenho como uma das boas obras cinematográficas de minha lista. Daquele limoeiro saiu, com certeza, uma deliciosa limonada, como a que Salma prepara sempre, para todos que a visitam.