Era um infeliz, coitado…

Nasceu na Europa. Viveu lá até os treze anos de idade e depois veio para o Brasil.

Foi morar no Rio de Janeiro e estudar numa das melhores escolas de lá, mas logo foi expulso, pois desde o primeiro dia de aula ficava tentando derrubar o colega do lado. A escola não o aguentou mais. Foi expulso.

Quando voltava para casa, encontrou-se com um traficante no Morro do Boréu e, como ele não entendia bem o nosso idioma, foi na conversa do traficante: tornou-se flamenguista. Agora era realmente um infeliz…

Numa das idas ao estádio, onde ele ia levar à tona toda a sua infelicidade, encontrou-se com uma bruxa horrível, que o transformou em um monstro mais horrível ainda.

Então o menino, com quatorze anos de idade, sentiu-se só. Sentiu saudades da Europa, do tempo em que não torcia para o Flamengo do tempo em que era feliz. Voltou.

Chegando lá, todos que o viam, como não podia ser diferente, corriam. Também pudera, sua aparência era realmente assustadora. Sentiu-se mais triste ainda. Era rejeitado na terra onde nascera.

Decidiu, então, sair dali. Queria ir para qualquer lugar, menos ficar ali. Foi a nado, atravessando o oceano, aos Estados Unidos. Estava decidido a ir para a NASA. Ia ser astronauta.

Entrou num foguete com destino à Lua. Foi-se o nosso ex-flamenguista.

Agora, estava na lua. Sem ninguém para lhe fazer companhia…

O resto da história? Não me contaram… Sei que ele tem saudades da Terra. Talvez seja ele quem esteja vindo aqui, de vem em quando, visitar-nos, nesses estranhos objetos que andam surgindo no céu… Não sei.

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Escrito em 1997.